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Alimentando a desigualdade: Os custos ocultos do monopólio industrial da carne

April 4, 2024

Este relatório examina, desde uma perspectiva crítica, a indústria brasileira da carne com foco na JBS, a maior empresa de alimentos do mundo, cujos produtos são baseados principalmente no processamento de proteína animal. O tema central gira em torno do forte contraste entre o crescimento exponencial da referida empresa, incentivado por políticas governamentais e instituições financeiras, e a escalada das desigualdades sociais no Brasil.Principais conclusões:A indústria global da carne testemunhou um crescimento meteórico desde a década de 1960, com um aumento de 402% na produção;A JBS é a maior processadora de carne do mundo, com receita anual de R$ 370 bilhões, representando 2,1% do PIB brasileiro e 2,7% do emprego nacional. O slogan da empresa é "Alimentando o mundo com o que há de melhor";Nos últimos 20 anos, R$ 31 bilhões das finanças públicas foram canalizadas para a JBS por meio de incentivos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES);O BNDES detém 20,8% da participação da JBS; investidores estrangeiros detêm 11%;Mais de 100 mil trabalhadores da JBS ganham um salário médio de R$ 1700 mensais, um terço do que é estimado como salário digno no Brasil. Cada um dos cinco principais executivos da JBS fatura o equivalente a R$ 2 milhões por mês;A maioria dos mais de 400 acionistas que participam das assembleias anuais da empresa são contra os elevados salários dos executivos, mas estes valores continuam crescendo exponencialmente;O Brasil está classificado como o país mais desigual do mundo em termos de distribuição de riqueza;Os indicadores de pobreza e fome aumentaram em 11 de 12 das grandes cidades brasileiras com as quais a JBS possui operações (2013-2023).

Feeding inequality: The hidden costs of Brazil's meat industry monopoly

March 24, 2024

This report critically examines the Brazilian meat industry, focusing on JBS, the world's largest food company, based mostly on processed meat products. The central theme revolves around the stark contrast between JBS's exponential growth, fuelled by government policies and financial institutions, and escalating social inequalities in Brazil.Key takeaways:The global meat industry has witnessed a meteoric rise since the 1960s with production increasing 402%. JBS is the world's biggest meat processor with annual revenue of US $77 billion, contributing 2.1% to Brazil's GDP and 2.7% of its employment. Its slogan is "We feed the world with the best". In the last 20 years, US $6 billion has flowed to JBS in public finance through the Brazilian Development Bank (BNDES). BNDES holds a 20.8% stake in JBS. Foreign investors hold 11%.Over a hundred thousand workers at JBS earn around US $393 monthly, a third of what is estimated as a living wage in Brazil. Each of the five top JBS executives take home the equivalent of US $420,000 every month. The majority of the 400+ shareholders who attend the company's annual meetings are against the executives' high wages, but these wages continue to increase. Brazil ranks as the most unequal country in the world in terms of wealth inequality. Indicators of poverty and hunger have increased in 11 of 12 Brazilian cities where JBS is heavily involved (2013-2023).